quinta-feira, 24 de abril de 2014

Se nutrir é selecionar...

A abordagem emocional é um assunto que me encanta. Cada vez que trabalho com isso, fica mais evidente o quanto nossa alimentação tem a ver com nossos comportamentos. O que vou falar hoje é sobre como selecionamos o que vamos ingerir. Fisiologicamente falando, o órgão responsável pela seleção de nutrientes em nosso organismo é o intestino delgado. Se formos analisar pela Medicina Chinesa, o meridiano do intestino delgado diz respeito à nutrição. Como interferimos no seu equilíbrio e desequilíbrio com nossos comportamentos? De uma forma muito simples: quando selecionamos o que vamos ingerir. E entenda a ingestão não somente de alimentos e nutrientes, mas também de informações, de pessoas, de situações, ambientes. Perceba que quando estamos ingerindo "qualquer coisa", na vida acabamos vivendo e atraindo situações que qualquer coisa serve. Uma das coisas mais estressantes hoje em dia é a quantidade de escolhas que temos que fazer. Basta pedir um café na padaria, que já vem uma avalanche de perguntas, tipo: "puro ou com leite?", "expresso ou coado?", "açúcar ou adoçante?", "pequeno ou médio?" O que penso nessa hora é "apenas um café!". Mas o interessante dessas situações no nosso dia a dia é que cada vez mais é necessário sabermos o que nos faz bem e o que não faz. E só conseguimos saber disso quando olhamos para dentro de nós e fazemos essa pergunta. E muitas vezes a resposta é: "não sei!". Somos tão bombardeados com informações que nos sentimos obrigados a saber de todas as respostas, e o simples "não sei" estressa. Para acessarmos as nossas respostas internas, precisamos de tempo, de tranquilidade, de conexão. Meditações, massagens, yoga, danças e muitas ferramentas existentes hoje ajudam a diminuir nosso ritmo alucinante para podermos exercitar a nossa atenção para nós e não para fora. Se nutrir é saber o que te faz bem, respeitar isso em você, e exercitar fazer o melhor para si. Quando estamos nutridos, podemos doar a abundância que permeia nosso ser, com mais qualidade, com mais amor, com mais compaixão. Quando estamos nutridos, não precisamos escolher qualquer coisa, porque sabemos o que nos faz bem e escolhemos nos fazer bem. Por outro lado, quando falta nutrição interna, quando não sabemos o que nos faz bem, escolhemos qualquer coisa, e nunca nos sentimos satisfeitos. E sentimos insegurança, porque nunca é suficiente, sentimos vazio e achamos que não somos bons o suficiente. Um exemplo simples para ilustrar essa situação é quando queremos chupar uma bala, mas não conseguimos identificar claramente que é isso que queremos. Identificamos apenas que queremos comer algo, mas por conta da pressa que temos, ou simplesmente não se perguntar o que quer, não conseguimos ter clareza do que queremos. Vai passando o tempo e a sensação continua lá. Começamos a comer alface, pão, e outros alimentos. Mas não sentimos que estamos satisfeitos. Quando paramos para perceber o que queremos de verdade, concluímos que é a bala. E quando chupamos a bala, sentimos a satisfação e toda a loucura de busca cessa. Isso ocorre com outros aspectos também. Sabe como? Basta colocar esse exemplo em nossa vida. Desejamos viajar para poder descansar e curtir um lugar bonito, por exemplo. Mas aprendemos que primeiro vem dever e depois o lazer. E daí,nos atolamos de deveres, porque eles nunca acabam. E nos boicotamos, porque usamos o dinheiro que ganhamos com o nosso trabalho somente para pagar as contas, porque temos deveres. Como forma de compensar a falta de viajar, começamos a comer carboidratos excessivamente. Sim, os carboidratos, porque são docinhos (viram açúcar em nosso organismo), são macios. Engordamos, porque o corpo fala e grita a sensação de estagnação e de não conseguir fazer movimento na sua direção. Quando, em um determinado momento, se faz a grande pergunta: "O que vc quer de verdade?" , a resposta imediata é "não sei". E se prestar atenção em si, o que a pessoa quer é viajar. Quando ela começa a fazer esse movimento na vida dela, para de comer carboidrato em excesso, começa a emagrecer. Tudo entra no equilíbrio novamente. Claro que cada pessoa funciona de uma forma e as questões de cada um tem a ver com a sua jornada e seus desafios. Por isso, o maior exercício que podemos fazer é sempre nos perguntar: "O que quero de verdade?" Não importa que a primeira resposta seja não sei. É colocar a atenção em si, prestar atenção às situações que te faz sentir bem e as que não fazem, e selecionar o que quer fazer a partir daí. Não tem a resposta certa, nem a forma certa. Tem a quente faz bem. E isso nutre!