Todo mundo sabe que alimentar-se é preciso. Mas e se nutrir? Há várias formas de nutrir o seu corpo: através da alimentação saudável, através de respiração adequada, através de vínculos sociais benéficos.
O que vou abordar é sobre a alimentação. Fala-se muito em alimentação saudável, os tipos de alimentos que fazem bem à saúde e a qualidade de vida que isso proporciona. Isso não tem o que discutir realmente. Como nutricionista sei bem a importância dos nutrientes, alimentos funcionais e coisa e tal. Mas como podemos nutrir emocionalmente através dos alimentos?
Sabemos que os carboidratos tem um papel fundamental na hora de suprir nossas carências. Como sabemos disso? Os chocólatras que o digam... como é bom comer chocolate, pães, macarrão, pizza! O que esses alimentos fazem? Há várias explicações científicas sobre esse assunto, sobre ativação de serotonina e tudo mais. Mas o meu foco não será dar explicações científicas, mas sim observar, perceber como isso acontece com cada um de nós.
Saber coisas, teorias, basta pesquisar na internet e você terá vários artigos explicando como ocorrem esses mecanismos. Mas e em você? Qual é o seu mecanismo de funcionamento com relação aos alimentos?
Durante os meus atendimentos, em que trabalho a consciência na forma como a pessoa se alimenta, é possível descobrir muitas coisas a respeito de si. E uma das questões mais frequentes que aparecem é sobre como diminuir os famosos docinhos pra poder emagrecer...
Trabalhar a consciência de si não é um percurso muito fácil, mas é muito compensador. Digo compensador, porque aprendemos o que faz procurarmos os carboidratos, como podemos interferir nesses padrões e gerenciamos isso pela vida toda de uma forma leve, se respeitando principalmente.
Gostar de doces, pizzas, pães, não é a questão. A questão é quando você precisa deles e que se você não ingerir dá a sensação de desespero e você fica pensando neles até que você consiga satisfazer essa vontade. Se prestarmos atenção, há momentos na nossa vida que isso acontece. E normalmente ocorre quando estamos passando por momentos difíceis ou de insatisfação em algum aspecto, seja no trabalho, na família, no afetivo, na vida social, financeira. Procuramos esses alimentos como forma de suprir essas "carências", por não sabermos, muitas vezes, como resolvê-los. E às vezes, as soluções não são a curto prazo.
Por mais que a gente saiba que os alimentos saudáveis são as melhores escolhas, nesse momento, seu corpo grita por carboidratos. É aí que começa o conflito interno. Prestar atenção aos seus desejos, considerar o momento que você está passando é se respeitar. Porque brigamos tanto com nós mesmos? A gente não se respeita, não se escuta, não faz pela gente, e ainda acaba acatando o que o outro acha que é melhor. Mas, por outro lado, aprendemos a ser diferentes disso? Aprendemos que ser bom é fazer pelos outros, cuidar do outro, se preocupar com o outro.
O que acontece quando fazemos para o outro é que esquecemos de nós mesmos, das nossas necessidades. Não conseguimos colocar limites, não conseguimos dizer não. Daí, a melhor opção e mais fácil é ir atrás dos carboidratos. Dá menos trabalho. Eles são doces, macios, molinhos. Não criam resistência. Tá errado? Claro que não! Nós temos que dar conta de tantas coisas no nosso dia a dia! A questão é: tá funcionando na sua vida? Se não estiver, como pode fazer diferente?
O que quero dizer é que quando respeitamos e aceitamos o nosso momento, os conflitos cessam e, a partir daí, podemos começar a ver formas de interferir e melhorar nossa alimentação. E melhorar alimentação é também ir devagar. Paciência com você também faz parte!
Comece se percebendo. Como se faz isso? Na hora que tiver vontade de comer doces, comece a se perguntar: "O que quero suprir com doces? O que está faltando em minha vida?" Não fique tentando pensar na resposta. Só se faça a pergunta, sem ter a expectativa da resposta. Você verá que a resposta vem na sua cabeça e você terá a sensação de que essa é a certa. Às vezes, você terá que se perguntar várias vezes e comer muitos doces antes de ter a resposta! Mas não se cobre nesse momento... o importante é saber o que quer suprir com esse alimento.
Mais pra frente, vou dando dicas do que fazer nessas questões.
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